Disciplina?

A palavra disciplina e regras/limites andam de mãos dadas quando se fala de parentalidade.

Já foste ao dicionário ler o que significa disciplina?

dis·ci·pli·na
substantivo feminino
1. Conjunto de leis ou ordens que regem certas colectividades.
2. Boa ordem e respeito.
3. Submissão, obediência.
4. Instrução e educação.
5. Ensino.
6. Acção dirigente de um mestre.
7. Estudo de um ramo do saber humano.
8. Autoridade.
9. Obediência à autoridade.

“disciplina”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/disciplina [consultado em 25-03-2015].

Há alguns meses atrás li um livro da psicóloga Shefali Tsabary intitulado: “Out Of Control, why disciplining your child doesn’t work and what will”.

E fiquei feliz, por ver que existem outras pessoas por aqui que já perceberam que disciplinar as crianças não faz sentido. Caminhar com elas, guiá-las enquanto precisam da nossa orientação, zelar pela sua segurança, saúde e bem-estar é uma coisa. Querer ser uma autoridade na vida delas é outra, bem diferente.

Queremos filhos obedientes, submissos?

Onde está o nosso BOM-SENSO? Onde fica o amor incondicional?

E já sei que muitos estão a pensar nas regras da sociedade, em atravessar as estradas, em partir os dentes de todas as pessoas que nos aparecem à frente, em comer todos os chocolates que existem ou então não comer nenhum legume ou peça de fruta durante toda a vida!

E a minha pergunta é: enquanto caminhas, lado a lado com os teus filhos, o que achas que eles fazem? Será possível que TU sejas o modelo que eles seguem?

Que eles te ouçam falar, o que dizes e como o dizes?
Que eles vejam como tratas os outros, a casa, a roupa, a comida, os tuas coisas?
Que eles observem o que tu comes e como comes, onde comes e a que horas comes?
Que eles observem os teus hábitos?
Que eles tentem imitar muitas tuas tuas atitudes?

Já pensaste que vivemos num mundo onde a maior parte das crianças levou palmadas, sofreu castigos, foi violada emocionalmente (dizer não gosto de ti quando fazes isso, não comeste tudo és feia, se não fizeres os trabalhos de casa não podes brincar, entre outras ameaças e insultos) e são essas mesmas que dizem que uma palmada não lhes fez mal nenhum e que os castigos são importantes?

Como seria se não tivessem levado palmadas? Como seria se tivessem sido respeitadas desde o momento que nasceram como um ser humano e guiadas com amor, respeito, consciência, bom-senso e liberdade para sentir e se expressar?
Será que hoje achavam que levar palmadas era normal? Ou que castigar era uma forma de ensinar, seja o que for?

O que ensinas quando castigas? Ensinas amor? Que atitude estás a ensinar? Que emoções estás a desenvolver na criança? Que adulto irá ser uma criança que quando erra é castigada, em vez de amada e reorientada?

E acima de tudo, porquê que achas que és mais do que os teus filhos e por isso tens o direito e o dever de lhes ensinar tudo?

Existe uma beleza escondida na mente que não tenta ensinar nada, mas apenas se permite partilhar a experiência com uma criança a crescer: as crianças querem aprender sobre este mundo, perguntam, observam, imitam, experimentam, criam, exploram, são curiosas e APRENDEM facilmente através da experiência.

E se tens bom-senso, não vais deixar uma criança atravessar a rua sozinha (mesmo que ela faça uma birra para o fazer) – simplesmente agarras nela. Se tens bom-senso também não a vais deixar passar fome porque sim ou para ensinar uma qualquer regra que é importante para ti.

O Bom-senso é o amor em ação através de ti… e tu, se não estiveres tolhido/a pelas tuas crenças e medos, vais guiar uma criança sem precisares discipliná-la!

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