As birras

Ontem ia escrever sobre birras. Comecei um artigo e apaguei-o. Hoje de manhã ouvi um pediatra falar sobre birras na televisão.

E continuo a acreditar que precisamos informar-nos melhor sobre as nossas emoções. Precisamos aprender mais sobre a nossa mente. Precisamos desaprender tantas crenças sobre o que é ensinar, para que possamos estabelecer um verdadeiro relacionamento com os nossos filhos.

Eu tenho um filho de dois anos. Ele faz birras. E não são teatros. E não faz as birras quando eu estou “exposta” ou para captar a atenção das pessoas que estão à volta. E não faz birras de propósito.

É mesmo isto que nós pensamos das nossas crianças?

É mesmo isto que queres pensar dos teus filhos?

É com estes pressupostos que queres relacionar-te em AMOR com os teus filhos?

Acredito que, acima de tudo, para lidar com as birras dos mais pequeninos, nós, adultos, precisamos questionar-nos. 

Precisamos soltar a vergonha de SENTIR. Soltar a vergonha de expressar o que sentimos, expressar as nossas necessidades, contar o que nos vai no coração. Só com esta abertura interior podemos ter a abertura de coração para aceitar as “birras” dos nossos filhos.

Sabes, ao escrever sobre isto, começo a reconhecer que eu raramente digo que o Rodrigo fez uma birra. Posso dizer que ele chorou, ele gritou, ele deitou-se no chão, ele correu para o quarto a chorar. E é incrível como isso faz toda a diferença na forma como eu interajo com ele nesses momentos.

Se eu escolho olhar para o comportamento do Rodrigo sem o julgar, eu escolho olhar para o meu filho sem o julgamento. É dessa forma que eu consigo conectar-me com Ele nesse instante, aceitando-o como ele é e como ele se está a exprimir nesse momento.

Ouvi hoje de manhã que devemos mostrar muito carinho aos nossos filhos, dar muito mimo e amor fora das birras, para que no momento da birra possamos mostrar que o que a criança está a fazer é grave e por isso não gostamos quando ela faz birra.

Chorar, gritar, deitar no chão, espernear, não é grave. Pelo menos para mim não é.

Grave é eu ignorar o meu filho, virar costas quando ele está a demonstrar que está a precisar de amor e de atenção, pois não está a sentir-se bem. Sim, porque uma birra só pode ser sinal de que aquilo que a criança está a sentir não a está a fazer sentir bem. Faz sentido para ti?

Também ouvi o mesmo pediatra dizer que as recomendações dos livros (não sei quais são) é dar um abraço à criança durante a birra. No entanto, para ele, essa atitude não resulta pois dar um abraço naquele momento é querer levar um estalo, por isso ele acha que mais vale ignorar.

Outro dia o Rodrigo estava cheio de sono e no final das compras, ao entrar para o carro, agarrou-me as bochechas de tal maneira que a minha única reação foi colocá-lo no colo do pai. Não o deixei sozinho, nem ignorei. Só não consegui lidar com aquilo que EU senti no momento. Depois de respirar fundo e aceitar o que eu estava a sentir, fui ao lado dele e disse-lhe que não me senti bem quando ele me apertou as bochechas, porque me magoou. Ele deu-me beijinho. Passou!

Já aconteceu algo parecido e eu estava sozinha com ele. Solução: respirar fundo no momento, afastar as mãos dele e dizer “Não vou deixar que me magoes. Precisas de alguma coisa neste momento?”. E ele normalmente responde: Chupeta, colo, ou dá abraço.

Segundo algumas teorias, em vez de chupeta, colo ou abraços eu iria ignorar o meu filho ou bater-lhe de volta, dizendo claro “Não se bate!!”.

Saber que entre o ano de idade e os 3 anos há crianças que têm tendência a bater, atirar com brinquedos, morder, ajuda-nos a lidar com essas fases de uma forma mais saudável e carinhosa.

Dependendo da situação em que ele está a chorar, é possível dar-lhe um abraço, pois acalma-o.

Para sabermos se é ou não possível dar um abraço na altura é preciso conhecermos a criança e estarmos conscientes das nossas emoções. Não é possível estar PRESENTE e ACEITAR as emoções dos outros quando não fazemos isso para nós mesmos.

Eu acredito que nós precisamos ser os pais que a criança que temos precisa. E não os pais que imaginámos que seríamos ou que seria o perfeito!

É preciso conhecermos a criança. Saber observar e escutar. Conhecer as fases de desenvolvimento da criança. Estar disponível para compreender a visão da criança. Estar disponível para questionar crenças sobre educação. Identificar as nossas verdadeiras intenções como pais e seres humanos.

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