Exigência

Muitas vezes nem sequer sabemos porque somos exigentes. Nem percebemos porque exigimos do outro algo em troca. Nem percebemos que estamos a exigir. Muito menos o quanto estamos a exigir de nós mesmos.

Não existe isso de exigir do outro sem sermos tanto ou mais exigentes connosco. Não existe!

Assim como não existem situações em que a exigência seja justificada e outras não.

Só na mente do ego, onde o ataque e a defesa são justificados, onde o dar e o receber estão em lados opostos e o medo é dono e senhor, é que a exigência e o esforço são válidos, justificados e necessários.

Já paraste para pensar nas vezes em que és exigente contigo?

Já paraste para pensar nas vezes em que exiges dos outros – amor, atenção, ações, palavras?

Já deste conta de que forma essas atitudes nascem de um senso de carência interior? Nascem da ideia de que estamos separados uns dos outros e separados do AMOR?

Fui agora ao dicionário ver o significado da palavra exigir.

exigir |z|

v. tr.
1. Reclamar (em virtude de direito que se julga ter).
2. Reclamar (de outrem o que este não julga do seu dever).
3. Ordenar imperiosamente.
4. Prescrever-se.
5. Carecer de, precisar de.

E parece que vem mesmo de um senso de carência!!!

Nunca tinha realmente pensado nisso, até hoje. Talvez nunca tenha dado conta, verdadeiramente, de algumas atitudes de exigência que tenho para comigo e para com os outros.

Pensar que os outros “deviam isto ou aquilo” é exigir deles.

Quanto da nossa vida despendemos a pensar que os outros, as situações ou nós mesmos devíamos ser diferentes do que somos?

Ontem tive uma breve conversa sobre a perfeição da vida. A tomada de consciência de que tudo é perfeito.

Normalmente essa consciência surge quando se olha para o passado, se observa tudo de uma perspetiva mais afastada e se vê apenas perfeição. E a perfeição surgiu naturalmente, não quando exigimos a perfeição.

Exigir perfeição implica controlo, implica carência, necessidade. Assumir a perfeição implica largar o medo, largar o controlo. Por isso se aceita mais facilmente a perfeição no passado do que no presente e futuro.

Nada se pode fazer em relação ao passado, mas a mente acredita que pode fazer algo em relação ao presente e ao futuro?
Será que pode?

Será que realmente podemos fazer algo? Ou somos os espectadores da perfeição da vida a desenrolar-se?

Acreditamos que tomamos decisões. Acreditamos que escolhemos. Acreditamos que fazemos determinadas coisas com este ou aquele intuito. Mas será que a mesma mente que acredita nessas coisas tem o poder de decidir seja o que for sobre a VIDA?

Acreditamos que estamos no controlo do barco. Acreditamos que escolhemos o barco e o mar por onde navegamos. Acreditamos que escolhemos tudo.

Ainda tenho as  minhas dúvidas quanto a isto tudo. É como o ovo e a galinha. Quem nasceu primeiro?

Será que pensamos porque já sabemos que vai acontecer, ou acontece porque pensamos?

O UCEM diz que tudo aquilo que nos acontece fomos nós que pedimos. Mas o UCEM não fala para a Ângela, para o Miguel ou para a Joana. O UCEM fala da escolha da mente do FILHO DE DEUS! Fala das escolhas da mente una.

Cada vez mais vejo aquilo a que chamamos de vida como uma co-criação, não da personagem Ângela, mas de algo bem mais abrangente do que um corpo e uma personalidade.

Este post começou por ser sobre a exigência… vou deixar este assunto para um novo post!!!😉

Contudo, se tudo é uma co-criação coletiva, a exigência individual não faz sentido, só traz esforço e culpa à mente.

Descansar no silêncio interior traz mais milagres e fluidez do que podemos imaginar. Porque não experimentar?

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