Nós e os outros

Quando decidimos que “não gostamos” de alguém, a nossa mente consegue encontrar todos os argumentos e mais alguns contra essa pessoa.

Não nos lembramos que o ataque ao outro é uma tentativa de defesa da nossa individualidade, e é um ataque a nós mesmos.

Não existe ataque ao outro, apenas ataque a nós.

Em última instância o ataque é impossível, pois o Espírito é intocável e imperturbável. O Amor não se altera por nós não termos consciência dele, apenas permanece em silêncio à espera de ser reconhecido.

Contudo, se acreditamos que o ataque é possível, é essa a realidade que reproduzimos para nós mesmos. Os outros são apenas personagens do nosso filme, mas que nada podem fazer para desfazer a ilusão que alimentamos sobre eles. Apenas nós, o narrador e realizador do filme individual que vemos através do significado que damos a tudo e a todos, é que podemos perdoar as nossas ilusões e dar espaço ao AMOR no outro para brilhar para nós.

Perdoar as nossas ilusões não é mais do que abrir mão da identificação com a culpa e o medo que alimentamos, abrindo mão da ideia de que somos corpos e abrindo o coração à nossa natureza de amor.

Por detrás de qualquer palavra, de qualquer comportamento ou atitude, existe um espaço interior, um amor infinito que nos abraça a todos e que está sempre presente. Pode estar oculto pela capa dos pensamentos, das emoções, dos comportamentos e das palavras, mas isso são apenas representações que nem sempre fazem juz à luz que realmente somos.

Olhar para o outro como um corpo e personalidade é limitá-lo, limitando a nós mesmos ao mesmo tempo. Se o outro pode ser limitado, nós também podemos. Além disso, será que conseguimos ver “fora” algo que não esteja “dentro”?

Será que os outros são a representação daquilo que mantemos oculto de nós mesmos, sobre nós?

Ou melhor, serão os outros a representação daquilo que não gostamos da personalidade que construímos sobre nós mesmos?

Perdoar é reconhecer que não somos uma personalidade e que aquilo que pensávamos sobre nós e os outros é apenas uma experiência passada, que não precisa ser mais alimentada.

Perdoar é reconhecer apenas o AMOR em nós e nos outros, independentemente das formas que possam ser manifestadas.

“Mas ele fez-me isto.”, “Ela disse-me aquilo”, “Ela não devia.”, “Ele devia”, etc…

São tudo histórias muito bem elaboradas para não olharmos para o verdadeiro AMOR que existe em cada um de nós. Especialmente, para não olharmos para dentro de nós e reconhecer o AMOR que já somos e podemos manifestar, sem medos e sem culpas.

Basta percebermos que ver o outro com uma perspetiva ausente de amor é algo que dói, que nos faz sofrer. Então, porque escolhemos fazê-lo? Porque insistimos em justificar a presença da dor?

E mesmo depois de sabermos e até experimentarmos vários momentos de perdão a mente ainda diz: “mas é muito difícil, eu não consigo perdoar.”

É uma escolha! Um momento de disponibilidade para ver de outra forma, para escolher o amor ao invés da dor.

“Eu escolho o Amor de Deus ao invés da dor.” ~ UCEM

Esta frase é do Curso Em Milagres e ajuda-nos a relembrar que temos o poder de escolher. É óbvio que quando estamos identificados com a mente que se sente culpada e culpa os outros, é difícil ver uma nova perspetiva.

No entanto, não será altura de dar um “chega para lá” na dor e decidir de outra forma?

Temos esse poder!

 

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