Corpo de dor

Eckhart Tolle chama de corpo de dor o conjunto de memórias (pensamentos e emoções) que temos “armazenado” na nossa mente e que se vai reciclando através do tempo.

Existe um momento, um instante onde o corpo de dor pode ser desfeito: AGORA. O instante sem tempo. No Agora o tempo não tem significado e por isso o corpo de dor não pode ser alimentado: não há futuro para temer ou prever, nem passado para recordar ou lamentar.

Nem sempre nos damos conta que estamos a alimentar o “nosso” corpo de dor. Justificamos as nossas dores, validamos as nossas reclamações, sentimos a dor interior e valorizamos as histórias que contamos a nós e aos outros vezes sem conta. E com isto aumentamos o nosso sofrimento, sem saber que estamos a ser vítimas do nosso próprio ataque!

O UCEM diz-nos que apenas podemos atacar a nós mesmos, ou ter a ilusão de que o podemos fazer e por isso sentimos tanto sofrimento: porque nos atacamos a nós mesmos ao pensar que somos um corpo e que podemos ser atacados.

Não nos damos conta que o que os outros dizem sobre nós não nos pode atacar, mas a nossa aceitação da ideia de que o outro nos pode atacar com palavras é um ataque a nós mesmos.

E se alguém nos agride, revoltamo-nos, sofremos, e possivelmente não conseguimos ter o discernimento necessário para abandonar esse tipo de situações, porque a revolta que sentimos alimenta a própria energia de violência dentro de nós.

Há situações que realmente não compreendemos. E estou a pensar em cenários de guerra, por exemplo. Tantas pessoas a atacarem-se a elas próprias?

Não sei!

A única coisa que conheço é a minha visão sobre os cenários de guerra e é apenas aí que posso atuar. E a revolta que possa sentir, a incredulidade, apenas alimentam visões de guerra dentro da minha mente. Não estou eu a fazer guerra à guerra? Afinal onde está a guerra?

E a quem estou a atacar quando permito que a minha mente esteja envolvida em cenários de guerra?

É preciso atenção e observação para nos darmos conta dos pensamentos de ataque que alimentamos sobre nós e os outros, e para percebermos o quanto isso nos faz sentir mal.

A nossa mente quer compreender tudo, saber porque isto ou aquilo acontece, porque sentimos isto ou aquilo… para quê?

É uma tentativa de controlo que não faz sentido! E simplesmente não resulta.

Desisti de querer compreender, de tentar entender… de procurar!

Tenho aprendido que a única resposta possível é a aceitação, a observação, a rendição completa ao momento!

Às vezes as pessoas perguntam-se como as posso ajudar a aceitar as emoções nas sessões.

Bem, como costumo dizer, só a experiência consegue mostrar o que é aceitar as emoções e como é que para cada pessoa esse processo acontece.

Não somos todos iguais e eu facilito um espaço onde as pessoas aprendem a reconhecer o que sentem e aprendem a encontrar a sua própria forma de processar as memórias que as incomodam e ainda fazem sofrer.

Como é que isso se faz?

Deixando a intuição guiar, usando algumas ferramentas de coaching e aliando as várias ferramentas de inteligência emocional que tenho aprendido e usado nos últimos anos.

O que acho fundamental é cada um de nós compreender como as emoções vão surgindo na nossa mente e de que forma podemos lidar com elas para que a paz possa ser uma presença cada vez mais abrangente na nossa vida.

E quanto mais vamos “desfazendo” o corpo de dor, mais a paz tem o seu lugar disponível para nos amar.

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