Não é bom saberes que a paz interior é o motor das criações intuitivas e amorosas?

“Sucesso é fazer

o que tu queres,

quando tu queres,

onde queres,

com quem queres,

tanto quanto quiseres.”

– Tony Robbins

 

Vi esta frase pelo facebook uma vez este fim-de-semana e fiquei a reflectir sobre ela. Senti logo vontade de escrever sobre ela, mas soltei esse QUERER.

Hoje, voltou a surgir a imagem e achei interessante reflectir sobre ela, partilhando a minha opinião.

Quando leio esta frase o que recebo é a ideia de que o sucesso depende do que eu faço, depende do sítio onde estou, depende das pessoas que me rodeiam. O meu sucesso passa a depender de condições exteriores a mim (ou aparentemente exteriores).

Eu compreendo a ideia e sei que algumas pessoas ditas “de sucesso” fazem o que gostam na vida, rodeiam-se de pessoas que as motivam e apoiam os seus sonhos e fazem o que for preciso para viver os seus sonhos. Fantástico!

Isso é sucesso?

Eu pessoalmente não vejo o sucesso dessa forma. Eu não consigo ver o sucesso separado da felicidade e da paz interior. Para mim, tudo é a mesma coisa e tudo passa por um senso de paz e bem-estar interior.

Claro, que existe uma ideia na nossa mente que diz: se eu estiver em paz vou ficar apático, a babar-me sentado no sofá, sem fazer nada e resignando-me, impávido e sereno, perante as adversidades da vida. “Bonita” imagem que temos da vida e de nós mesmos,não??????

Onde é que fomos buscar esta ideia? Pior, porque queremos continuar a acreditar nela?????

Quando estamos em paz interior estamos em alinhamento connosco mesmos, estamos em alinhamento com a vida, e o esforço não é uma ideia na nossa mente e muito menos precisamos dele para viver!

Lutar pelos nossos sonhos???? Lutar com quem? Uma luta envolve mais do um participante, certo?

E agora, vamos um pouco mais longe nesta história de fazer o que se quer.

A mente cria muitas fantasias, e uma que nos deixa bastante deprimidos é: qual é o meu propósito de vida?

Há pessoas que descobrem livros sobre isso aos 40 e tal anos, estão em profissões onde não se sentem muito bem e o que a mente diz de imediato é: eu não estou a fazer o que quero, mas também não sei o que quero.

Quando colocamos o nosso propósito de vida como algo que FAZEMOS no mundo, estamos a retirar o poder que temos dentro de nós de SER quem somos.

Quando o SER está em primeiro, nada mais é importante e tudo se torna importante. O que quero dizer com isso é que tudo e todos os que nos rodeiam são importantes no momento em que o são, no momento presente, damos total atenção ao que estamos a fazer, dizer e criar em cada momento. Contudo, sabemos que esse é o único momento que existe e nada do que se passa exteriormente pode afectar o SER que somos, o amor que sentimos, a paz que expandimos.

É sempre fácil? Pode não ser fácil, mas é muito simples e basta uma pequena disponibilidade para experimentar viver assim.

E naturalmente, a vida vai trazendo até nós ideias, pessoas, situações, oportunidades para expressarmos e manifestarmos o que nos sentimos inspirados a realizar.

A mente tem tantos quereres e quando QUEREMOS, o estado interior é de continua busca. Como seria viver se soubesses que não existe nada para alcançar? Apenas desfrutar DESTE MOMENTO?

A vida não pára. A vida continua a acontecer! Contudo, se estiveres em alinhamento com ela, neste momento, tudo se torna mais leve, mais simples, mais agradável e mais saboroso – interior e exteriormente.

Eu cansei-me de muitos quereres!

Não é bom sentires que estás bem onde estás agora? Não é bom saberes que todas as pessoas que estão na tua vida neste momento são as pessoas que precisas para descobrires mais de ti e para te relembrares que o amor é o mais importante?

Não é bom saberes que a paz interior é o motor das criações intuitivas e amorosas?

Lembrei-me agora duma frase da Byron Katie que é mais ou menos assim: “Há muitos trabalhos que são ter o que queremos, o meu trabalho é uma tomada de consciência de que quero o que tenho.”.

2 thoughts on “Não é bom saberes que a paz interior é o motor das criações intuitivas e amorosas?

  1. Olha Angela, primeiro estou imensamente grata por partilhares este texto, audaz, pertubador, desconfortável pois põe em causa a filosofia pura do coaching. Mas caramba, parabéns pela coragem e pela clareza. Eu acredito nas coisas da forma como expões, e confesso que de vez em quando me surgia o dilema interno: será que deveria de estar a fazer alguma coisa? é assim tão importante ter objectivos? mas e se eu não quiser nada senão estar bem, tranquila e feliz? será saudável? o que me vale é a minha intuição e uma convicção profunda de que SER é o objetivo, o resto é distração… e SER implica expressar-se como ser criativo e isso é viver a paixão da vida, e nada tem a ver com o “ter de” fazer alguma coisa. Eu até gosto do Tony Robbins, mas sem dúvida que me identifico muito com o que dizes neste artigo. Muito bom, mesmo!

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