Escutar

Para mim, escutar é uma arte. Uma arte que tive que desenvolver.

Na escola, sempre ouvi com muita atenção. Acho que a minha parte auditiva sempre esteve bem apurada (diz quem me conhece bem que tenho ouvidos de tísica). A verdade é que ouvir muito bem o que se passa é bom, denota atenção ao ambiente que me rodeia.

Mas quando estava numa conversa, não denotava total atenção ao que a pessoa me estava a contar.

A nossa mente adora um bom julgamento. Satura-se com facilidade das conversas. Associa informação de uma forma incrível. E tudo isto acontece em milésimos de segundos.

Desenvolver a arte de escutar, para mim, é estar presente com a pessoa que está a falar connosco. Estar presente para ela e não para a nossa mente e para os nossos julgamentos interiores.

Escutar, é mais do que estar atento às palavras do outros. É conectar-se com o outro para além das palavras, dos pensamentos e das emoções que desperta.

Às vezes leio que as nossas emoções são o nosso guia. Eu diria que não são um guia muito fiável. São um guia para nos mostrar o que está a ser despertado em nós. Intuição vem para além da emoção – pode vir com um sentimento, mas algo bem mais profundo, um saber mais profundo que uma onda dual de emoções.

Desenvolver a arte de escutar também implica desenvolver a auto-observação e auto-consciência.

Aprender que cada pessoa desperta em nós pensamentos, emoções, julgamentos, que surgem em piloto automático. Tomar consciência que nós somos aquele que tem consciência do que acontece e surge no nosso espaço de consciência é imprescindível para viver uma comunicação eficaz, sólida e profunda.

Ao conhecermos como a mente funciona, ao sabermos o que não somos, aprendemos a ver para além das histórias e a ouvir para além das palavras.

Nesse momento criamos conexão com o ser com o qual estamos a interagir e podemos comunicar livremente!

Imagem: Google

 

One thought on “Escutar

  1. Gostei bastante do seu post. Acho que captura bem a diferença entre ouvir e escutar! A relação que estabelece entre a nossa capacidade de escutar e a presença, o viver no momento, é na minha opinião o que permite efectuar um salto qualitativo do ouvir/julgar para uma verdadeira escuta ligada ao outro.

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