Comunicação entre pais e filhos

Ontem falei sobre Felicidade na Exponor.

E estar num local com tantos jovens relembrou-me da importância da comunicação entre pais e filhos. Como é importante uma comunicação aberta, sem regras e com uma PRESENÇA absoluta.

Estar presente na comunicação é abrir mão das crenças e pré-conceitos que estabelecemos. É compreender que uma palavra significa algo para mim e pode significar algo diferente para o outro. É compreender que a cada instante as minhas memórias podem estar a ser ativadas e não está relacionado diretamente com o outro.

Compreender que todo o nosso mundo se desenrola dentro de nós e é através dele que viajamos até ao outro, ajuda-nos a estar mais centrados em nós e presentes para o outro.

O relacionamento entre pais e filhos tem a capacidade de nos ensinar muito sobre nós mesmos.

Mesmo quando não temos filhos (e acho que mesmo depois de os termos), o relacionamento com os nossos pais vai despertar memórias, crenças e emoções que não gostamos. O Eckhart Tolle diz que desperta o nosso corpo de dor, e como os nossos pais nos conhecem bem, é fácil existir uma interação maior entre o corpo de dor deles e o nosso.

Estar presente com os outros implica estar presente com o nosso corpo de dor e com o nosso corpo de energia. No fundo, estar consciente da nossa energia, de tudo o que se passa dentro de nós, sabendo que essa consciência é a única necessária também para estar presente para o outro.

Muitas vezes ouço pessoas dizerem que temos que deitar o passado para trás das costas e ignorá-lo e que agora só podemos olhar para o futuro.

Na comunicação eficaz é MAIS OU MENOS ASSIM.

É mais simples e mais complexo do que isso.

Deitar o passado para trás das costas não faz com que ele se esqueça. Infelizmente, o tempo não cura as emoções, o tempo não é sinónimo de perdão nem libertação. O tempo, muitas vezes, é sinónimo de acumular ressentimentos, de cristalizar emoções e de maior sofrimento, encoberto por palavras bonitas ou ações supérfluas.

Contudo, na comunicação eficaz só o presente faz sentido: o que sentimos agora, em plena consciência. Somos o observador consciente e presente, que, mesmo quando o corpo de dor é despertado, está alerta e ouve o outro no silêncio da sua observação interna. E isto acontece sem pensamento. Simplesmente ouvimos o outro. E se algo surge dentro de nós, observamos e regressamos à escuta. Regressamos à conversa.

Isto deixa-nos atentos às crenças que surgem, às regras que nos impomos a nós e aos outros, às ideias que temos sobre os outros (antes mesmo de eles as expressarem).

Por exemplo, quando falamos com alguém e existe uma necessidade interior de responder, de argumentar, de contrapor. Quando estamos atentos ao nosso diálogo mental e às nossas emoções, conseguimos perceber quando essa “necessidade” vem de uma memória ou se simplesmente ocorre um momento de partilha com a outra pessoa, sem NECESSIDADE que aprovação ou controlo.

Para mim, isto é honestidade na comunicação. E mesmo quando dizemos algo que seja para obter aprovação ou controlo, admiti-lo também é uma forma de honestidade connosco e com o outro.

Pais e filhos que começam a conhecer-se melhor e conseguem ter diálogos abertos sobre o que sentem, sobre as suas vidas, sobre as suas dificuldades, acabam por ter relacionamentos mais profundos e vão curando muitas das suas dores.

Não é o tempo que as cura, mas a sua disponibilidade para serem honestos em relação ao que sentem e pensam, e ao estarem abertos a compreender que ter razão não é sinónimo de felicidade.

Regras nos relacionamentos, ter que, dever fazer ou dizer isto, não dever, são apenas entraves a uma conexão mais profunda entre os seres humanos.

Claro que isto que escrevo sobre comunicação não é apenas para pais e filhos, serve para todos os relacionamentos. Contudo, sendo o relacionamento que dá o exemplo para as nossas próximas gerações, para os próximos habitantes deste planeta, acho que podemos estar mais atentos a isso.

Além disso, é também um dos relacionamentos mais desafiantes que muitos de nós temos para aprender e curar.

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