Resistir ou fluir

Nem sempre nos apercebemos das inúmeras sensações, pensamentos e situações a que resistimos.

Muitas vezes temos ideias criadas sobre o que é suposto pensar, sentir e experienciar, e deixamos que essas “leis” feitas por ninguém orientem a nossa vida.

Não é normal sentir-se mal, não é normal sentir-se deprimido, frustrado, mal humorado, confuso. Quem disse isso?

É verdade que gostamos de nos sentir bem? Que quando nos sentimos em paz e alegres toda a vida parece sorrir de uma forma diferente e mais luminosa para nós e para os outros? Claro que sim, estamos na “nossa praia”, no nosso elemento natural: o AMOR!

O que acontece, é que nesta realidade nem sempre isso se passa dessa forma e a nossa mente entra em muitos “quartos escuros” que só podem ficar iluminados quando decidirmos entrar neles sem medo e abrir a janela, que sempre esteve lá!

Como podemos iluminar uma casa se mantemos quartos trancados e as janelas fechadas? A nossa mente possui muitas informações e memórias escondidas, que nos impedem de ver a nossa própria luz brilhar, que nos impedem de brilhar e sentir o calor do sol, a frescura de uma brisa renovada pelos dias.

Quando resistimos ao que pensamos, quando não queremos sentir o que já estamos a sentir, estamos a ir contra nós mesmos. Estamos a tentar evitar que a nossa luz possa entrar no escuro das nossas memórias e a evitar que a nossa beleza e inteligência possa finalmente mostrar-se. É normal que não gostamos de nos sentir mal, há pensamentos que nos assustam, mas resistir a eles não os muda e muito menos faz com que desapareçam.

Há uma frase muito conhecida, que não sei se é do livro “O Segredo” ou de outro livro qualquer: “Aquilo a que se resiste, persiste”.

Não vale a pena resistir ao que é, porque já é. E nenhuma mudança efetiva nasce da resistência, do não querer, da força ou da luta. Quando deixamos que os pensamentos e as sensações fluam, elas não se agarram e nós não precisamos de fazer força para os afastar. O que não é natural em nós desfaz-se na nossa própria luz, amor e aceitação.

“Ah, mas é tão difícil aceitar!”

Será?

É que já está aqui o que não queremos aceitar, já sentimos, já pensamos. A resistência, a não aceitação, já é uma nova camada, uma nova história sobre aquela que já é. Agora são duas histórias: o que não quero e a história do porquê de não querer. Qual a solução que pode vir daqui? Nenhuma útil ou que não tenha que ser pensada e repensada várias vezes no futuro quando os mesmos pensamentos ou sensações vierem novamente dar um ar da sua graça.

A Byron Katie diz-nos que “When you become a lover of what is, the war is over.” / “Quando nos tornamos amantes do que é, a guerra acaba.”.

Observe que lutas mantém na sua mente, na sua vida. Escolha uma, foque-se nela. Observe a resistência que sente a sentir – a resistência pode surgir como uma necessidade de mudar o que está a sentir, uma necessidade de não querer sentir o que está a sentir, querer focar-se noutra coisa… observe apenas o padrão da mente. E por um breve instante, pode aceitar essa resistência? Pode deixar que ela se manifeste? Seja em pensamentos ou emoções?

Pode ser um espaço para ela?

Observe apenas… sem querer mudar… sendo a testemunha observadora que se mantém imperturbável e serena.

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