Perdão

Muitos pessoas ficam surpreendidas com a nova visão do perdão que o UCEM nos apresenta. Bem, ela não é nova, se não tivermos em consideração a versão enraizada que resolvemos levar a sério do perdão: perdoar alguém pelo pecado que cometeu no passado.

Ainda ontem ouvi na televisão alguém dizer que perdão é uma palavra muito forte. Outras pessoas dizem: “quem sou eu para perdoar?”. A esta última pergunta eu respondo: O/A ÚNICO/A QUE O PODE FAZER!

Para compreender o perdão na totalidade, é preciso conhecer um pouco mais dos princípios do UCEM. De qualquer forma, vou tentar resumir de forma a dar uma visão daquilo que é o perdão e de como o podem praticar no dia-a-dia.

O primeiro ponto fundamental é a distinção que o curso faz entre o que é real e o que é ilusão.

Para o curso, a realidade é a nossa verdadeira essência, o amor que somos, o eterno, o imutável. Ensina-nos que aquilo que somos jamais pode ser alterado ou perdido. Também nos mostra o quanto estamos esquecidos de quem somos.

Aquilo a que o curso chama de ilusão, é tudo aquilo que é temporal, mutável. As formas de pensamento, os corpos, as situações, por terem um início e um fim, não podem ser a realidade de quem somos, nem sequer podem alterar aquilo que somos. A ideia de que aquilo que somos é o produto das nossas experiências, é contraditório ao que o curso nos ensina. A nossa realidade é imutável, é completa e perfeita. Não pode ser alterada, melhorada ou perdida.

Os nossos pensamentos sobre nós, contudo, não são de perfeição, nem completude. Os nossos constantes desejos de mudança, de melhoria de nós e dos outros, nascem da ideia de que não somos completos, nem perfeitos e que precisamos recriar-nos a todo o instante. Esta ideia é criadora de culpa inconsciente – no nosso íntimo sabemos quem somos, e quando nos limitamos a menos do que somos, sentimo-nos diminuídos pela culpa do ter feito.

Esta culpa é avassaladora. E como não conseguimos lidar directamente com ela dentro de nós, ela projecta-se no nosso mundo “exterior”. É por isso que nos culpamos tanto e vemos tantas pessoas culpadas no mundo.

Esta culpa está presente em todas as situações. Normalmente, é a culpa que mantém as memórias activas dentro de nós e mantém as projecções tão reais na nossa vida. Aqui é importante lembrar que o curso nos ensina que o nosso mundo exterior é uma representação do nosso mundo interior, do nosso estado mental.

A realidade que damos aos acontecimentos da nossa vida é subjectiva, por isso o curso não lhe chama de Realidade. A “nossa realidade” é dada pelos inúmeros significados que atribuímos às pessoas, às situações, aos objectos, ao tempo e aos espaços. Por isso, a realidade de cada um é criada pelo próprio, pois cada um possui referências, memórias, crenças e valores diferentes, vendo assim o mundo segundo as suas próprias lentes de significados.

O curso questiona-nos como podemos acreditar que a realidade é tão variável, subjectiva e dependente de opiniões, apreciações diferentes. Nada é neutro aos nossas olhos, pois não conseguimos ver o mundo sem julgamento – é um hábito enraízado na mente humana. É esse hábito de julgar que nos tira a paz interior.

Quando julgamos, não julgamos os outros. Aparentemente parece que sim. A questão, é que não existe um único pensamento que deixe a sua fonte. Todos partilhamos uma malha mental, na qual viajam todos os pensamentos. Não existem pensamentos privados, pensamentos que não afectem tudo e todos. Contudo, quando pensamos (ou melhor, acreditamos nos pensamentos que surgem na nossa mente), dámos a nossa vida, a nossa energia a esses pensamentos e passamos a ser a fonte desse pensamento. Então, seja sobre o que for esse pensamento, ele fica em nós, como uma cópia e outra cópia é enviada para a malha pensamente que partilhamos. Afectamos tudo e todos com os pensamentos que acreditamos e ficamos SEMPRE com uma cópia dos mesmos.

Isso significa, que se acreditamos pensamentos de culpa e injustiça sobre os outros, esses mesmos pensamentos ficam na nossa mente. O que faz com a nossa realidade individual seja vista através da culpa e da injustiça. Não nos admiremos pois, se virmos situações que despertem a culpa e a injustiça dentro de nós.

O mesmo acontece com pensamentos naturais de amor e perdão. Pensamentos de vida, unidade e alegria. Eles naturalmente se extendem a tudo e todos, e aqueles que os acredita, que os emite e os reconhece como a sua verdade, sente-se bem, pleno e inteiro, e sente-se ainda melhor quando os partilha com a malha colectiva.

Sentimo-nos bem quando regressamos a “casa”, quando tocamos, nem que seja por momentos, a nossa REALIDADE última, imutável e profundamente amorosa.

Contudo, como regressar a casa? Como eliminar a quantidade avassaladora de julgamentos que acontecem normalmente na nossa mente?

O julgamento não é algo que se diga: a partir de hoje não vou julgar. É natural à mente humana julgar!!! E se acreditar que consegue não julgar, depois de uma hora de prática, vem a frustração e a culpa de regressar ao mesmo hábito.

O perdão, é a forma natural de regressar à unidade. Qualquer pensamento de culpa gera separação: tu és culpado eu não, eu sou culpado e os outros não. Há sempre “eu e os outros”. Quando perdoamos, levamos a mente ao seu estado natural de integridade, onde ela reconhece que os pensamentos não deixam a sua fonte e por isso foram espelhados em algo ou alguém, e dessa forma, existe um reconhecimento da ilusão da separação e um lembrar de quem realmente somos.

O perdão é o relembrar que aquilo que somos, uma mente, não pode ser afectado por nenhuma acção de um corpo, por nenhum pensamento.

Primeiro: é preciso reconhecer que não estamos em paz, e que se não estamos em paz, é porque estamos a acreditar em pensamentos equivocados sobre nós mesmos. Estamos a acreditar que podemos ser de alguma forma magoados, atacados, por algo ou alguém.

Segundo: é preciso, sinceramente, não desejar mais ver-se como um ser separado dos outros. É preciso um desejo genuíno de não querer mais sofrer por causa desses pensamentos, admitindo que se o SER que somos é perfeito e completo, então o que estamos a sentir não pode fazer parte desse Ser.

Terceiro: entregar tudo aquilo que sentimos à parte da nossa mente que conhece a verdade, à parte imutável e eterna da mente, a parte inteligente e criativa, que conhece tudo e tem as soluções para tudo.

Quarto: largar a sensação e confiar no poder da vida e de Deus.

Uma vez li algo da Marianne Williamson em que ela dizia: eu não sou capaz de resolver isto, mas Deus É! Claro que Deus precisa de nós para resolver as situações, mas nós precisamos ouvi-lo primeiro, através da mente una e integra em nós, a parte da mente que não se sente culpada e por isso sabe que não pode ser atacada de forma alguma.

 

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