Nada

Imagem: Google

 

Hoje estava a conversar com uma amiga sobre uma situação passada e ela perguntava-me como me sentia em relação a isso.

É engreçado como ficamos surpreendidos com o NADA em nós. A mente lança pensamentos de surpresa… “Não podes não sentir nada em relação a isso.” Mas a verdade é que nesse nada, está uma aceitação e um amor que não seriam vistos se existisse alguma coisa a cobrir essa PRESENÇA magnífica que nos eleva a qualquer situação e nos deixa simplesmente em paz.

Nós achamos que podemos controlar as situações. Achamos que podemos controlar as nossas respostas/reacções. Mas a verdade, quem é esse que acha que controla seja o que for? Que parte da mente é que acha que é o deus do seu mundo?

Há uma paz que nos invade quando a realização interior de que não controlamos nada surge.

Eu sei que existe a ideia bem firmada de que somos os criadores da nossa realidade, de que podemos controlar as experiências, imaginar muito para depois experimentar, podemos controlar as nossas respostas, podemos controlar as pessoas que nos rodeiam, podemos controlar os nossos pensamentos, podemos controlar o nosso mundo, podemos controlar a nossa vida.

Em pequeninas coisas no nosso dia-a-dia este controlo mostra-se: querer ir pelo caminho do costume porque é o mais perto, mesmo quando vemos que está muito trânsito, querer que alguém se despache porque senão vamos chegar atrasados e a pessoa que está a “atrasar-nos” tem que ser mais responsável, alguém faz qualquer coisa diferente em casa e nós queremos que essa pessoa corrija isso porque “não é assim que se faz”, etc.

São tantas situações em que a mente perde a sua paz só porque acha que vai perder o controlo e se sente em perigo.

Saber, saber mesmo, que aquilo que somos, não pode ser de forma alguma atacado, é uma realização interior que nos oferece uma paz e um discernimento infinitos.

Praticar aquilo que eu chamo de NADA, é das ferramentas mais úteis e mais profundas que podemos usar no nosso quotidiano para nos transportarmos para a nossa verdadeira realidade imutável e imperturbável.

Praticar e estudar “Um Curso Em Milagres” dá-nos um novo entendimento da vida e deste mundo, e permitir a entrada da PAZ na nossa experiência é algo a que resistimos com afinco, com muitas ideias contrárias e equivocadas em relação à mesma.

Ideias de que temos mesmo que fazer qualquer coisa para estar em paz, de que a nossa vida tem que mudar para que nos possamos sentir em paz, são apenas alguns exemplos dos entraves que colocamos a nós mesmos para não viver no Paraíso AGORA!!!

Questionar os nossos pensamentos sobre a paz é uma forma que temos de ACORDAR do marasmo em que vivemos, “colados” e identificados com pensamentos tolos sobre nós.

Não precisamos fazer NADA para viver em paz. É problema é que estamos sempre a fazer alguma coisa: em pensamento, em comportamento… achamos que podemos controlar a paz ou a não paz.

Quando baixamos as rédeas, observamos e sentimos a paz, mesmo aqui. MESMO AQUI.

Para mim, baixar as rédeas é parar de dar significados a tudo e a todos. Baixar as rédeas é parar de querer qualquer coisa para ser feliz.

E claro que a mente pode dizer: mas neste mundo eu preciso agir, preciso comer, andar, ir para o trabalho, fazer coisas!! Sim, claro!!! E se estivermos em paz não vamos fazer o que temos que fazer?????

Claro que vamos!! Mas fazemos o que temos que fazer, quando o estamos a fazer!! E não fazemos o que não estamos a fazer!!! A mente está clara, está em paz. E quando isso acontece, as ideias naturais da mente, de união, de criatividade, não encontram os obstáculos de uma mente dividida em inúmeras metas conflitantes umas com as outras.

Se estiver com um problema neste momento, não o queira resolver. Só por uns momentos.

Deixe-se ficar em silêncio. O problema está lá, se conseguir, observe-o apenas e por alguns minutos, veja-o como numa tela de cinema, e afaste-se. Saia da sala. E feche os olhos por uns minutos, longe do problema, e perto de si, perto do seu silêncio interior. Faça isso algumas vezes. Vá ao encontro de si. Vá ao encontro do SER que está à sua espera, em silêncio, no NADA.

E não queira fazer NADA.

Na minha experiência, todos os problemas têm uma solução. E a solução surge no momento certo. Não quando nós estamos “aflitos” à procura dela. Aceite que o problema existe. Deixo-o estar aí. E fique em silêncio. Alguns minutos por dia.

E depois volte ao seu quotidiano, às tarefas que “tem que fazer”.

E verá que a sua mente começa a relaxar, a ficar mais vezes em silêncio, e isso dá-lhe as soluções que precisa, no momento certo.

Experimente por si!!!

 

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