Gratidão

Gratidão por perceber que realmente eu não preciso ajudá-lo a adquirir conhecimentos (ensinar-lhe), pois ele aprende com a sua curiosidade e experiência.

Observo que existe uma tendência da mente para ensinar – quantas são as pessoas que tentam ensinar-lhe qualquer coisa, em diversos contextos (parque, centro de saúde, almoços, conversas, brincadeiras, etc). A cara dele nessas ocasiões é qualquer coisa de muito engraçada… “O que queres tu?!?”

Sinto-me tão grata por aprender com o meu filho a respeitá-lo, a respeitar o seu ritmo, a sua curiosidade, as suas experiências.
Sinto-me grata por partilhar com ele momentos em que nos divertimos a pintar os pés com tinta, a molhar os dedos com cola para colar olhinhos, a escolher os pom-pons dos rabinhos dos coelhos… e perceber que ele já sabe onde colar os olhinhos, que a boca é em baixo… não porque lhe ensino, mas porque ele OBSERVA.

Só por hoje… podes observar mais as “observações” das tuas crianças e ver o que acontece a seguir? Antes de lhes tentares ensinar alguma coisa… observa… se lhes deres tempo e atenção, eles podem “ensinar-te” que já sabem!

Observar.

Dar espaço.

Nutrir a paciência.

Não interromper.

Confiar!

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Ser mãe não é tudo aquilo que dizem

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Acredito que este tipo de ideias não nasce do amor.
Desculpem-me as mães que acreditam nisto.
Eu sou mãe, mas isso não significa que acredito em todas as coisas que se falam sobre ser mãe.

Há muitas mulheres que não são mães, mas sentem-se realizadas como mulheres. E ainda bem que assim é. Nem todos precisamos percorrer o mesmo caminho.

Além disso, ser mãe não é o que nós somos. Ser mãe é um papel que desempenhamos.

Há muito mais na VIDA para além da maternidade. No entanto, acredito que seja uma fase da nossa vida que tem muito para nos ensinar.

Também acredito que há mulheres que não são mães, não por falta de vontade… mas porque não podem, não conseguiram, a vida lhes mostrou o caminho delas de outra forma.

Se uma dessas mulheres ler este pensamento, como achas que se pode sentir? FELIZ?

Antes de sermos mulheres, somos SERES HUMANOS, somos AMOR. E não precisamos ter um filho para reconhecer e viver esse amor nas nossas vidas.

Quantas vezes ter filhos é um engano tão grande para a mente, pois continua adormecido no amor que projeta nos filhos e não descobre a sua verdadeira natureza, a sua verdadeira identidade, o AMOR.

Seres humanos, mulheres, homens, mães, pais ou não, são precisam de desempenhar determinados papéis para conhecer o que é o AMOR. É o que nós somos. Todos os momentos são oportunidades para reconhecer esse amor.

Os mitos do desenvolvimento pessoal

Eu acreditei em muitos. E possivelmente ainda acredito em alguns. E acredito que, no seu devido momento, a minha mente vai despertar para esses também e constatar a ilusão que são.

O chamado “desenvolvimento pessoal” leva-nos para um mundo novo onde, muitas vezes, são as promessas de uma vida nova, melhor e recheada de tudo aquilo que queremos que nos atrai.

Eu lembro-me de ter assistido ao filme “O Segredo” e ter, a partir daí, descoberto um novo mundo: um mundo que me trouxe alegrias, mas também me permitiu cair muitas vezes e viver momentos de medo e desespero que não tenho memória.

Quedas que fizeram parte do caminho. Obstáculos que me mostraram a irrealidade dos mitos em que eu acreditava – mitos sobre desenvolvimento pessoal, a vida, trabalho, dinheiro, família… acima de tudo, sobre quem eu pensava que era.

No entanto, há algo que a vida me ensina a cada instante: ACEITAÇÃO.

Aceitar não é concordar. Aceitar é não querer mudar o que já É, agora.

Eu posso mudar, daqui a um segundo. Resistir ao que é AGORA, não adianta nada.

E na minha experiência, QUERER MUDAR é resistir. O querer não é a força que nos move. A força que nos move é o AMOR. E esse, surge naturalmente, quando largamos os nossos quereres, quando nos rendemos ao que é, quando deixamos de ter medo e de querer controlar.

Talvez esse seja o maior desafio: deixar de ter medo. Confiar.

Durante muitos anos acreditei que era possível mudar tudo, que temos que ir ao encontro das nossas feridas interiores, curá-las, perdoá-las. Neste blog irás encontrar muitos textos sobre isso.

Hoje… acredito que as feridas, quando existem, se mostram no momento presente. E curar uma ferida não é encontrar a sua causa. Se eu me cortar com uma faca, saber que me cortei com uma faca enquanto estava a descascar uma cenoura não vai fazer a ferida desaparecer. Curar a ferida aberta, neste preciso instante, desinfectá-la ou lavá-la, colocar um penso se for preciso, ou simplesmente deixá-la ao ar, aceitando a sua realidade e permitindo a sua cura, é o melhor que posso fazer.

Só que fazer isso para as nossas feridas emocionais nem sempre é fácil. E é muito sedutor ir à procura de bodes expiatórios no passado. Muito mais sedutor para o ego: podes mudar todas as circunstâncias da tua vida para aquilo que tu QUERES!

Objetivos. Quadros de sonhos. Força Interior. Fazer acontecer. Positividade. Otimismo.

E tudo isto leva-nos onde?

O que continuamos a acreditar sobre nós mesmos?

Quando é que o ciclo de QUERER acaba e simplesmente relaxamos, confiando na VIDA, no AMOR, em NÓS?

Porque podemos dizer que confiamos em nós, que nós somos a vida, que isto e aquilo, mas depois… temos medo do que comemos, do que dizemos, do que os outros dizem, do que os outros fazem… e temos que fazer, fazer, fazer para nos sentirmos vivos e realizados…

Onde está a confiança?

Onde está o AMOR?

Acredito que começarmos por observar as incongruências em que “caímos” é fundamental para “acordarmos”, para começarmos a reconhecer quem realmente somos e a deixar de lado as histórias. Até podem ser histórias bonitas, mas enquanto forem histórias, não passam de fantasias sobre quem realmente somos.

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Foto: The Work Of Byron Katie (Facebook)

Let him be

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Deixá-lo SER.

Sem interferir.

Sem dizer para fazer isto ou aquilo. Sem dizer para não fazer isto ou aquilo.

(Claro que quando ele quer descer o escorrega de cabeça para baixo ou fazer algo que parece colocar a segurança dele em perigo, eu vou à beira dele e explico-lhe que não é a opção mais segura, mostrando-lhe também qual é a opção segura.)

Observar os nossos filhos é uma (não) atividade que nos entrega ao momento presente, que nos permite observar as tendências da mente e também nos oferece a possibilidade de escolher: seguir a mente ou a serenidade do AMOR.